Porque o modelo de atribuição muda a leitura da mesma campanha
Imagine uma pessoa que vê um anúncio de Display, uma semana depois clica num anúncio de Meta Ads, e três dias depois pesquisa o nome da marca no Google e converte. Quem "gerou" essa conversão? A resposta depende inteiramente do modelo de atribuição usado — e cada modelo dá um crédito diferente a cada um dos três pontos de contacto.
Isto não é um detalhe técnico menor. É a diferença entre concluir que o Display "não funciona" e cortar o orçamento, ou perceber que o Display estava a preparar o terreno para uma conversão que só fechou via Pesquisa de marca. O modelo de atribuição é a lente através da qual lê os dados — e lentes diferentes mostram histórias diferentes da mesma realidade.
Os modelos de atribuição disponíveis
Existem vários modelos, cada um a distribuir o crédito de forma diferente entre os pontos de contacto de uma jornada:
- Last click (último clique): 100% do crédito vai para a última interacção antes da conversão. O modelo mais simples, e durante anos o padrão da indústria.
- First click (primeiro clique): 100% do crédito vai para a primeira interacção que trouxe a pessoa. Útil para avaliar canais de descoberta, raramente usado isoladamente para decisões de orçamento.
- Linear: o crédito divide-se em partes iguais por todos os pontos de contacto da jornada.
- Position-based (em forma de U): 40% para o primeiro contacto, 40% para o último, os restantes 20% divididos pelos pontos intermédios.
- Data-driven (baseado em dados): usa machine learning para distribuir o crédito consoante o impacto real que cada ponto de contacto teve na probabilidade de conversão, com base no histórico da própria conta.
Comparação: forças e limitações de cada modelo
| Modelo | Simplicidade | Reflecte a jornada real | Melhor para |
|---|---|---|---|
| Last click | Alta | Baixa | Contas simples, ciclo de decisão curto, um único canal dominante |
| First click | Alta | Baixa | Avaliar canais de descoberta/topo de funil isoladamente |
| Linear | Média | Baixa-média | Visão inicial de jornadas multi-touch sem dados suficientes para data-driven |
| Position-based | Média | Média | Quando descoberta e decisão final são igualmente importantes de valorizar |
| Data-driven | Baixa | Alta | Contas com volume suficiente — hoje o modelo recomendado por defeito |
Porque o last click deixou de ser o padrão
Durante anos, o last click foi o modelo por defeito em quase todas as plataformas — simples de explicar, fácil de calcular. Mas tem um problema estrutural: ignora completamente tudo o que aconteceu antes do último clique. Numa jornada de compra típica, isso significa dar 100% do crédito a quem "fechou" a venda e 0% a quem a tornou possível.
Foi por isto que o Google Ads passou a usar atribuição data-driven como modelo predefinido para a maioria das contas — deixando de assumir que o último clique é sempre o mais importante, e usando dados reais da conta para decidir quanto crédito atribuir a cada ponto de contacto.
Data-driven não é magia — é estatística sobre os seus próprios dados. O modelo compara jornadas que converteram com jornadas que não converteram, e infere que pontos de contacto fizeram mais diferença. Precisa de volume de dados suficiente para ser fiável; contas pequenas continuam, na prática, a herdar um comportamento mais próximo do last click até acumularem histórico.
O problema do last click em jornadas multi-canal
O maior ponto cego do last click aparece quando há vários canais envolvidos. Um exemplo comum:
- A pessoa vê um anúncio de Display do Google — não clica, mas fica com a marca na memória
- Alguns dias depois, vê um anúncio no Instagram — clica, visita o site, não converte
- Uma semana depois, pesquisa o nome da marca no Google e converte via anúncio de Pesquisa
No last click, 100% do crédito vai para a Pesquisa de marca — que na prática só "recolheu" uma decisão já tomada antes, influenciada pelo Display e pelo Meta Ads. Sem um modelo mais distribuído, é fácil concluir erradamente que Display e Meta "não funcionam" e cortar orçamento em quem estava, na verdade, a construir a decisão.
Atribuição entre plataformas: cada uma só vê a sua parte
Há uma limitação estrutural que nenhum modelo resolve sozinho: o Google Ads só atribui crédito a interacções dentro do próprio Google Ads, e o Meta Ads faz o mesmo dentro do seu ecossistema. Nenhuma das duas plataformas "vê" a jornada completa se ela atravessar as duas.
Isto significa que, mesmo com o melhor modelo de atribuição activado em cada plataforma, vai continuar a ver alguma sobreposição — as duas podem reivindicar crédito pela mesma conversão. Para uma visão verdadeiramente cross-channel, é necessário um sistema de analytics próprio (GA4, ou uma ferramenta de atribuição dedicada) que veja ambos os canais e aplique um modelo único sobre a jornada completa.
Como escolher o modelo certo para o seu negócio
- Ciclo de decisão curto, um canal dominante: last click continua a ser suficientemente simples e razoavelmente preciso
- Vários canais, ciclo de decisão médio a longo: data-driven, sempre que a conta tenha volume suficiente para o algoritmo aprender
- Volume insuficiente para data-driven: linear ou position-based como aproximação razoável, até acumular histórico
- Negócio B2B com múltiplos decisores e ciclo longo: position-based, para não ignorar nem a descoberta nem a decisão final
Dica prática: use o GA4 para comparar como diferentes modelos de atribuição mudam a leitura das mesmas campanhas antes de tirar conclusões definitivas sobre que canal "funciona" ou "não funciona". A diferença entre modelos é, muitas vezes, reveladora por si só.
Erros comuns na leitura de atribuição
- Cortar canais de topo de funil só porque têm poucas conversões atribuídas em last click
- Comparar CPA entre Google Ads e Meta Ads sem considerar que cada plataforma só vê a sua parte da jornada
- Mudar de modelo de atribuição a meio de uma análise histórica sem ajustar as comparações — os números deixam de ser comparáveis directamente
- Ignorar conversões assistidas ao decidir orçamento, olhando apenas para conversões atribuídas directamente
O que fazer na prática
Para a maioria das PMEs, a combinação mais equilibrada é: usar atribuição data-driven dentro do Google Ads (é já o padrão em contas com volume), confiar no relatório de conversões assistidas do Meta Ads para perceber o papel de topo de funil, e usar o GA4 como camada adicional para ver a jornada de forma mais completa entre canais.
O objectivo não é encontrar o modelo "perfeito" — é evitar decisões de orçamento baseadas apenas na leitura mais simplista (last click) quando a realidade da jornada de compra é mais complexa do que um único clique final.
Quer perceber que canais estão realmente a mover a agulha na sua conta? Fazemos uma análise gratuita que olha para além do last click. Ver auditoria gratuita →